UM OLHAR SOBRE: MUSICOTERAPIA
A Musicoterapia é um processo sistemático de intervenção onde o terapeuta ajuda a pessoa a promover a sua saúde através de experiências musicais e da relação que se cria entre ambos como força dinâmica de mudança.
Distintamente da educação musical, cujos objetivos são musicais, a Musicoterapia utiliza a música para atingir objetivos terapêuticos, como manter, melhorar e restaurar o funcionamento físico, cognitivo, emocional e social da pessoa.
Nas sessões é utilizada toda e qualquer manifestação sonora com a finalidade de produzir efeitos terapêuticos. É através da música, de sons e de movimento, que se estabelece uma relação de ajuda.

A quem se destina?
A Musicoterapia pode ser aplicada a todas as pessoas (crianças, jovens, adultos e idosos), não se limitando a áreas de intervenção amplamente reconhecidas pela investigação, como é o caso das perturbações do espectro autista, perturbações do desenvolvimento, deficiência física e cognitiva.
Para além das intervenções específicas na área da saúde mental a Musicoterapia também se destina a pessoas que tenham dificuldades num contexto verbal de terapia, possibilitando a manutenção do bem-estar para pessoas saudáveis, bem como o envolvimento mobilizador para pessoas que padeçam de doenças crónicas.
No Corpe, a Musicoterapia pode ser aplicada a crianças e jovens com síndromes genéticas como o Síndrome de Down e o Síndrome de Rett, distúrbios neurológicos, distúrbios emocionais, deficiências sensoriais, auditivas e visuais, Autismo, Síndrome de Asperger, Dificuldades de Aprendizagem, PHDA, entre outras. Não é necessário ter formação musical ou dominar um instrumento para beneficiar de sessões de Musicoterapia.
A quem se dirige a Musicoterapia?
Esta prática, na sua vertente terapêutica, desenvolve-se em casos com incidência do ponto de vista corporal tais como instabilidade postural, descoordenação motora, disgrafia, dispraxia, perturbações do esquema corporal e da lateralidade, perturbações da estruturação espacial e temporal.
Pode também ser uma intervenção dirigida a crianças e jovens com problemáticas do ponto de vista relacional tais como dificuldades de comunicação e de contacto, inibição, instabilidade, agressividade, dificuldades de concentração ou ainda pode atuar em casos do foro cognitivo e comportamental tais como défices de atenção, de memória, organização percetiva, simbólica e concetual.
O que acontece numa sessão de Musicoterapia?
As sessões podem ser individuais ou em grupo, consoante o tipo de intervenção terapêutica que se pretenda implementar.
Normalmente, as crianças têm Musicoterapia uma vez por semana, e as sessões podem durar entre 20 e 45 minutos, dependendo da sua idade e das suas necessidades.
A música é a ferramenta central para o desenvolvimento da relação entre o terapeuta e a criança/jovem. As atividades são centradas nas necessidades da criança/jovem, nas suas possibilidades e preferências musicais, na sua história pessoal e identidade musical.
Normalmente, ambos improvisam (tocam de forma espontânea) juntos podendo utilizar vários tipos de instrumentos. Para além da improvisação (vocal ou instrumental), existem outras técnicas como:
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Construção de canções, ou adaptação de canções pré-existentes;
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Escuta de canções (que sejam relevantes para a pessoa);
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Análise de letras de músicas;
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Expressão corporal ou pictórica com suporte musical
Por vezes, principalmente com crianças muito pequenas, os pais podem ser convidados a participar na sessão. Isto pode ajudar a trabalhar a relação pai-filho e a promover mudanças positivas que podem ser transferidas para fora da sessão
Quais são os objetivos da Musicoterapia?
Nas crianças é muito importante trabalhar o vínculo afetivo e compreender o seu comportamento no sentido de o tornar mais adaptativo. A música permite que a criança/jovem se exprima livremente numa relação de apoio com o musicoterapeuta podendo ou não recorrer à verbalização.
Os objetivos são definidos de acordo com as necessidades individuais de cada criança/jovem, e podem incluir:
- Promover a comunicação (verbal e não verbal);
- Promover a expressão corporal, vocal e sonora;
- Melhorar a auto-estima;
- Desenvolvimento da representação de si e dos outros
- Estimular a coordenação motora grossa e fina através de atividades musicais (utilizando instrumentos musicais);
- Desenvolver a orientação espacial e corporal através de vivências musicais;
- Suporte emocional;
- Controle de impulsos;
- Desenvolver a capacidade de atenção e concentração;
- Estimular a imaginação e criatividade;
- Auto-regulação.
Independentemente das necessidades derivadas de cada patologia, a Musicoterapia valoriza a expressão de cada pessoa, respeitando-a nas suas particularidades e assistindo-a nas suas dificuldades.